roteiro e direção geral Sérgio Augusto Andrade direção de fotografia Walter Carvalho Diadorim e Riobaldo vividos pelos atores Silvia Loureço e Odilon Esteves
(...) O que a surpreendia era a extraordinária paz do inferno. Nunca o imaginara com este silêncio que escutara cada gesto seu. Nem com a ingênua perseverança de uma árvore. Nem com este sol enorme ao alcance da mão. Não essa coisa que não precisava dela e à qual ela acabara de se agregar como mais um astro.
Deus dos sem deuses Deus do céu sem Deus Deus dos ateus Rogo a ti cem vezes Responde quem és? Serás Deus ou Deusa? Que sexo terás? Mostra teu dedo, tua língua, tua face Deus dos sem deuses...
"Invocação" Chico César
(...) Os deuses são deuses Porque não se pensam.
Ricardo Reis
(...) Eu só poderia crer num Deus que soubesse dançar.
Cacilda Becker faleceu ontem, às 10 h, no Hospital São Luís onde estava internada há 38 dias, precisamente desde 6 de maio, quando fora acometida por um derrame cerebral num dos intervalos de peça "Esperando Godot", na qual fazia o papel principal. A noticia de sua morte provocou intensa comoção nos meios teatrais de todo o país e manifestações de pesar do governador Abreu Sodré e do prefeito Paulo Maluf. O corpo de Cacilda Becker --que nasceu em Piraçununga, há 48 anos-- está sendo velado na capela dos dominicanos, para onde foi levado às 14 h. Seu sepultamento será realizado hoje, às 11 h, no Cemitério do Araçá.
Uma vida para o teatro
- Zimba, nós vamos ter um trabalho infernal.
Era assim que Cacilda Becker dizia para Ziembinski, sempre que se iniciavam os ensaios de uma peça. Zimba era o tratamento afetuoso para o ator e diretor, que a ajudou a se tornar a primeira atriz do teatro brasileiro.
- Ela dizia que teríamos um trabalho infernal mas dizia com um brilho de alegria nos olhos. Sempre teve um fogo sagrado ardendo dentro daquele corpo frágil, uma paixão mística pelo teatro.
A vida de Cacilda Becker foi a historia de uma vontade apoiada em nervos e coragem e inteligência. Sua carreira se confunde com a própria evolução do teatro moderno brasileiro, que ela enriqueceu com seu talento de atriz no impecável desempenho de papeis difíceis e na encenação de algumas das obras da dramaturgia contemporânea.
Uma mulher pertinaz, que levou ao palco a romântica Marguerite Gauthier, a "Dama das Camélias", a toxicômana Mary, de "Longa Jornada Noite a Dentro", a neurótica Marta, de "Quem tem medo de Virgínia Woolf", ela foi brutalmente surpreendida entre um ato e outro, no dia 6 de maio, de "Esperando Godot", na qual representava Estragon, ao sofrer um derrame cerebral.
Paulista de Piraçununga, Cacilda Becker nasceu em 1921. Cedo, conheceu a pobreza que não deveria abandoná-la durante anos. Ela e as irmãs Cleide e Dirce ficaram com a mãe quando os pais se separaram. Juntas, vieram para Santos, onde a vida era difícil. Mesmo assim, Cacilda conseguiu fazer os estudos de balé, sua primeira vocação artística. Antes do teatro, um diploma de professora e, em São Paulo, o emprego de escrituraria numa firma de seguros.
Com 20 anos, vai para o Rio disposta a iniciar a carreira de atriz. Supera as dificuldades, domina a própria fragilidade e conquista uma oportunidade no teatro, que só deixaria atingida pela adversidade. Do palco Cacilda só sairia, anos mais tarde, carregada de maca, para o hospital.
Cacilda Becker começa a afirmar-se como atriz em 1941, na companhia de Raul Roulien. Ela, Raul e Laura Suarez interpretam "Trio em Lá Menor", de Raimundo Magalhães Jr. Antes, por parte do elenco do Teatro do Estudante, na montagem de Hamlet, dirigida por Paschoal Carlos Magno.
Quando o teatro paulista começa a pretender profissionalizar-se, Cacilda Becker regressa a São Paulo em 1943 e integra-se no Grupo Universitário de Teatro, fundado por Decio de Almeida Prado.
Faz rádio-teatro para sobreviver mas é ao palco que ela entrega a força de sua excepcional capacidade de trabalho e sua viva inteligência. No GTU participa de três montagens: "Auto da Barca do Inferno", de Gil Vicente; "Irmãos das Almas", de Martins Pena e "Pequeno Serviço em Casa de Casal", de Mario Neme. Regressa ainda ao Rio para trabalhar com "Os Comediantes", grupo responsável por uma verdadeira revolução no panorama teatral brasileiro. Com eles, dirigida por Ziembisnki, que a conhecia desde 1943, participa da remontagem da peça "O Vestido de Noiva", em 1946, no papel de Lúcia, ao lado de Olga Navarro e Maria Della Costa.
Ziembisnki evoca o entusiasmo de Cacilda:
"Lembro-me dela, uma moça que não comia, tinha a fragilidade de uma flor de estufa. Alimentava-se com um ovo cru e um pedaço de carne. Chegou a pesar 42 quilos. Ela nos preocupava. A Cacilda Becker que todos conheceram nos últimos anos era robusta perto daquela mocinha que conheci. Mas ela tinha a dedicação mais absoluta ao teatro, ao fenômeno de teatro, ao amor do teatro."
O salto
Em 1948, Ziembisnki passou a integrar o elenco de Maria Della Costa, que acabara de fundar seu Teatro Nacional Popular, no Rio. Cacilda veio para São Paulo onde duas iniciativas importantes davam novo impulso ao teatro: a fundação do Teatro Brasileiro de Comedia, resultado da fusão do Grupo Universitário de Teatro com o Grupo Experimental de Teatro, dirigido por Alfredo Mesquita que, no mesmo ano, fundou a Escola de Arte Dramática de São Paulo, estabelecimento pioneiro no ensino de teatro no Brasil. Cacilda Becker foi lecionar interpretação na EAD e entrou para o TBC como a primeira atriz contratada em caráter profissional.
O primeiro espetáculo do TBC foi "A Mulher do Próximo", de Abílio Pereira de Almeida. Iniciava-se um dos períodos mais fecundos do teatro paulista. Cacilda Becker ingressou no movimento interpretando o principal papel no espetáculo inaugural do TBC. Acompanhou toda evolução da nova companhia que se profissionalizou definitivamente graças ao industrial Franco Zampari que lhe imprimiu novo ritmo, realizando de quatro a cinco montagens por ano e contratando diretores estrangeiros que contribuíram decisivamente para a elevação do nível técnico e artístico do teatro paulista. Contratou ainda Zienbinsky como ator e diretor. Cacilda Becker esteve em quase todas montagens dessa época. Aparece em "Nick Bar", de Saroyan, em "Antigone", textos de Sofocles e de Anouilh, em "Dama das Camélias", de Dumas, e em "Gata em Teto de Zinco Quente", de Tennessee Williams.
Zienbinsky dirigia espetáculos que eram apresentados às segundas feiras. Em carreira normal, a semana inteira, seu primeiro espetáculo foi "Paiol Velho", de Abílio Pereira de Almeida, com Cacilda Becker. Mas, nas sessões das segundas a dupla criaria o espetáculo que se constituiria um dos maiores êxitos de suas carreiras: "Pega Fogo", de Jules Renard. A peça fez tanto sucesso que entrou em carreira normal e ficou em cartaz muito tempo. Anos depois, em 1960, Cacilda remontou "Pega Fogo", apresentando-se no Teatro das Nações, em Paris. A critica francesa apontou-a como uma atriz extraordinária.
O TBC entrou em declínio a partir de 1955. Os diretores italianos regressaram à Europa enquanto os atores mais famosos fundavam suas próprias companhias. Cacilda e Valmor Chagas alugaram o teatro da Federação Paulista de Futebol e inauguraram o Teatro Cacilda Becker. Estavam no elenco, Zienbinsky, velho companheiro e sua irmã Cleide Yaconis que também iniciara carreira no TBC e se firmava como atriz de talento. O novo grupo estreou com "O Santo e a Porca", de Ariano Suassuna. Cacilda ficou com um papel secundário para que a irmã fosse a protagonista. Seu repertório foi crescendo com as encenações de "Longa Jornada Noite a Dentro", de O' Neil; "O Protocolo", de Machado de Assis; "Maria Stuart", de Schiller, "Santa Marta Fabril", de Abilio Pereira de Almeida; "Raízes", de Arnold Wesker; "Oscar", de Claude Magnier; "Os Rinocerontes"; "A Visita da Velha Senhora", de Durremah; "Cesar e Cleopatra", de Bernard Shaw; "A Noite de Iguana", de Tenessee Willians; "Quem tem medo de Virginia Woolf?", uma das melhores interpretações de sua carreira'; "Isso Devia ser Proibido", de Braulio Pedro e "Esperando Godot", de Samuel Becket.
Ziembisnki rememora a fibra de Cacilda Becker em seus trabalhos:
"Ela era impressionante. Para fazer o garoto de 'Pega Fogo' enfaixava a região dos seios com tiras largas de esparadrapos. Depois de uma semana de representação, a pele saiu e ficou a carne viva. Ela teve de se enfaixar com tiras de pano. Cacilda sempre fez esses sacrifícios. Quando montamos 'Maria Stuart' sofreu dores nos rins porque a roupa era pesada demais e a peça durava 3 horas e 15 minutos. Aos sábados fazia três sessões e, no domingo, duas.
Exauria-se de cansaço. Representou 'Arsênico e Alfazema' gravida de sete a oito meses. Esta é a Cacilda Becker que conheço há quase trinta anos".
Um cargo difícil
Em 1968 Cacilda suspende as atividades da sua companhia para presidir a Comissão Estadual de Teatro, um cargo difícil, com implicações e problemas que desafiavam uma mulher que sempre se considerou atriz, e apenas atriz. Fez o possível para ser a mediadora entre classe teatral e o governo. Mas, nos momentos de crise, seu cargo, que desempenhou com inquebrável dignidade, não a impedia de ladear, com a mesma dedicação, os seus companheiros de profissão. Ficou no cargo até o momento em que julgou ter cumprido sua tarefa.
Voltou ao teatro, este ano, aceitando um novo desafio. Representar, sob a direção de Flavio Rangel, o vagabundo Estragon de "Esperando Godot". O papel exigia uma interpretação impecável. Cacilda superou-se a si mesma. Sua presença no palco, ao lado de Valmor Chagas e de seu filho Luís Carlos Martins, que estreava no teatro, era citada como um dos acontecimentos importantes da temporada teatral do ano.
Cacilda Becker foi a nossa primeira e grande atriz até a ultima fala do 1.o ato de "Esperando Godot", na tarde de 6 de maio. Não voltou para o segundo ato. Saiu do camarim carregada para o hospital. Só o derrame cerebral pôde vencer a força contida naquele físico delicado. Resta o palco vazio, a cena cortada e a lembrança de uma atriz que mereceu o apaixonado elogio do critico francês Michel Simon ao vê-la em "Pega Fogo".
- Cacilda Becker vem de muito mais longe do que seus dez anos de aprendizagem em sua arte, porque é um monstro do teatro, como De Max, Gaby Morlay, Charles Chaplin, Jean Louis Barrault ou Charles Laughton. Ela é médium, mãe dos Santos, do orixá do teatro. Basta ela aparecer que a magia se opera. Pessoalmente tenho a pretensão de me haver tornado um duro, um empedernido, um desconfiado do palco. Conheço-lhe o mecanismo. Pois bem, chorei como uma Madalena arrependida assim que o pano se levantou e vi aquele rosto amaciado, aquele olhar em virgula (como nos desenhos de Poulbot), aqueles gestos pletóricos de garoto infeliz e arrogante. Ela ainda não tinha aberto a boca e eu já estava possuído ("como um rato na ratoeira", diria Sartre). Enfim, ela é Poil de Carotte. Poil de Carotte não pode ter mais, para mim e para muitos outros, de agora em diante, outro rosto senão o seu.'
Velório entre os dominicanos, seus admiradores
Às 14 horas de ontem, o corpo de Cacilda Becker é levado para o velório na capela dos dominicanos, que sempre foram seus admiradores.
Vinte minutos depois, o esquife é colocado na capela da rua Caiubi. As portas são fechadas para armas o velório. Na escadaria, parentes, gente de teatro e admiradores. Mais quinze minutos e chega o aviso de que todos podem entrar.
Nas primeiras cadeiras ficam Walmor Chagas, Maurice Vaneau, Luís Carlos Martins, Fredi Kleeman, Leonardo Vilar, Benedito Corsi e Flavio Rangel.
O silencio é quebrado quando chega da. Alzira Becker, mãe da atriz; amparada por Cleide Yaconis e Osmar Rodrigues Cruz, ela sobe a escadaria com dificuldade, sempre exclamando "onde ela está, onde ela está?"
Cantata de Bach
Da. Alzira só pode ficar alguns minutos junto ao caixão onde, de rosto tranqüilo e sem aparentar ter passado por sofrimento ou dor, está Cacilda Becker.
A mãe da atriz chora muito. Norma Grecco corre em busca de um copo de água com açúcar. Depois, todos da família acham melhor retirar da. Alzira do local. Ela se afasta após muita insistência. O diretor Maurice Vaneau põe em funcionamento a fita magnética com uma cantata de Bach. Musicas fúnebres prosseguem o tempo todo.
Abreu Sodré
O governador Abreu Sodré chegou ao velório às 17h30. Mais tarde, distribuiria a seguinte nota:
"Perco uma grande amiga. Os artistas perdem uma grande líder e o povo brasileiro uma grande interprete. Extingue-se um grande talento. Fica um grande exemplo."
O governador determinou que seja dado o nome de Cacilda Becker ao teatro-auditório da TV-Cultura.
Disse tratar-se de uma homenagem "à grande atriz do teatro brasileiro, cuja consciência profissional é exemplo de coragem, de lucidez e de intrépido espirito de defesa da nossa arte e da nossa cultura".
Afirmou ainda que ele e sua mulher, pessoalmente, perderam "a amiga de tantos anos a quem afetuosa e orgulhosamente, tanto admirávamos e estimávamos". Concluiu dizendo que com a morte de Cacilda "perdeu a cultura brasileira um de seus testemunhos de inteligência, arte e sensibilidade que se perpetuarão sempre na nossa lembrança e no nosso coração".
Klabin Segall
O presidente da Caixa Econômica Estadual, Oscar Klabin Segall, que acompanhava o governador, disse:
"Cheguei de viagem esta madrugada e fui, pela manhã, surpreendido com a triste noticia da morte de Cacilda Becker. Dias atrás, em Paris, os críticos franceses me perguntavam sobre o estado de saúde da atriz, cujo nome ganhou dimensões internacionais. Venho prestar minha ultima homenagem àquela que levou o nome do tetro brasileiro alem de nossas fronteiras e que era a grande representante da classe teatral".
Laudo Natel
O ex-governador Laudo Natel disse:
"Venho prestar minha ultima homenagem à grande dama do teatro brasileiro".
Odete Lara
"Tinha fé na recuperação de Cacilda. Aprendi a admirá-la por sua obra e por sua personalidade na vivencia que tivemos. A perda é irreparável".
Fredi Klemann
"Cacilda morreu no palco como talvez ela quisesse. Trabalhei com ela 20 anos e com ela vai-se uma parte de nossa vida. Sua morte assinala o fim de uma época do teatro brasileiro: a época da renovação".
O sepultamento
Cacilda Becker faleceu aos 48 anos. Foi casada em primeira núpcias com o jornalista Tito Fleury, e atualmente estava separada de seu último marido, o ator Valmor Chagas. Deixa a mãe Alzira Yaconis Becker (seu pai Edmundo Radamés Becker é falecido), as irmãs Dirce e Cleide Yaconis (esta também conhecida atriz de teatro), e dois filhos, Luiz Carlos, o Cuca, com Fleury, e Maria Clara, adotada junto com Chagas.
No próximo dia 9 de dezembro, o Ministério da Cultura, junto à SAC – Sociedade Amigos da Cinemateca e EBC – Empresa Brasil de Comunicação, lança na Cinemateca Brasileira um novo edital para a produção de teledramaturgias seriadas voltadas às classes C, D e E. Na coletiva de lançamento do projeto FICTV/MAIS CULTURA, estarão presentes o ministro da Cultura, Juca Ferreira, além do ministro da Comunicação Social, Franklin Martins.
O edital público será voltado para projetos de minissérioes com 13 episódios de 26 minutos de duração cada, que proponham uma visão original sobre as juventudes brasileiras das classes C,D e E, e serão exibidas nas emissoras do sistema público de televisão. As inscrições abrem no dia 10 de dezembro, e vão até 15 de março de 2009. O processo de seleção, que será coordenado por uma comissão formada por especialistas em teledramaturgia e produção audiovisual indicados pelo MinC, será dividido em duas etapas.
A primeira, de desenvolvimento, selecionará até oito projetos, que serão contemplados com R$ 250 mil cada um, para continuar o projeto e produzir um episódio piloto, que também serão exibidos nas emissoras públicas. Na segunda etapa, serão escolhidos até três projetos técnicos, considerando o desempenho dos pilotos exibidos e o resultado final do desenvolvimento. Cada premiado nesta etapa recebera R$ 2,6 milhões para a produção da minissérie.
No evento estarão presentes ainda a secretária de Articulação Institucional e coordenadora executiva do Programa Mais Cultura, Silvana Meireles, a presidente da EBC/TV Brasil, Tereza Cruvinel, o presidente da ABEPEC, Antônio Achilis, a presidente da Sociedade Amigos da Cinemateca, Professora Dora Mourão, o presidente da ABPI/TV, Fernando Dias, entre outros. Para mais informações sobre o edital, acesse http://fictv.cultura.gov.br/ .
Um ator escapou por pouco da morte depois de ter cortado o próprio pescoço em cena durante uma apresentação no teatro Burgtheater, em Viena, na Áustria.
Daniel Hövels, de 30 anos, acreditava estar com a faca sem lâmina usada normalmente em peças de teatro, mas o que tinha nas mãos era uma faca verdadeira.
Após cair no palco com sangue jorrando pelo pescoço, ele foi levado imediatamente a um hospital, onde foi constatado que o corte por pouco não atingiu a principal artéria da região.
"Se ele tivesse se cortado com mais força ou até pegado uma artéria, provavelmente teria sangrado até morrer em cena", disse ao jornal "Österreich" o médico que atendeu Hövels.
Aplausos
O incidente ocorreu no último fim de semana, durante a apresentação da peça "Mary Stuart", de Friedrich Schiller. Em uma das cenas, o personagem de Hövels comete suicídio.
Segundo testemunhas, o público chegou a aplaudir o ator ensangüentado, acreditando se tratar de um efeito especial muito bem realizado. Somente após o ator ser retirado do palco é que os espectadores perceberam que algo estava errado.
A polícia austríaca agora está investigando se de fato houve um engano ou se ocorreu uma tentativa deliberada de ferir ou matar o ator.
A faca teria sido comprada em uma loja próxima ao teatro.
Hövels teve alta após receber tratamento no hospital e voltou ao palco já no dia seguinte, com uma bandagem em volta do pescoço.
PM acusado da morte do menino João Roberto é absolvido de homicídio e condenado por lesão corporal
Ediane Merola, Natanael Damasceno e Luisa Valle - O Globo, CBN e Bom Dia Rio Publicado em 11/12/2008 – 09h40
RIO - No dia em que se comemorava os 60 anos da Declaração dos Direitos Humanos, um dos policiais acusados de ter matado o menino João Roberto Soares, de 3 anos, o cabo William de Paula, foi absolvido por quatro votos a três da acusação de homicídio, apesar de ter reconhecido que errou ao confundir o carro onde estava o menino, seu irmão e sua mãe, com um veículo ocupado por bandidos quando atirou. Para o advogado de acusação Nilo Batista, a setença é um sinal dos tempos.
- Foi um momento vergonhoso. É engraçado porque a morte do João Roberto não teve relevância. Para os quatro jurados que votaram pela absolvição, o policial estava cumprindo seu dever. Quer dizer, eles decretaram que existe pena de morte para ladrões de carro. Ele é o carrasco oficial autorizado pela lei - afirmou o advogado.
O policial, que também respondia pelas tentativas de homicídio da mãe, Alessandra Soares, e do irmão do menino, Vinícius Soares, foi condenado por lesão corporal leve. A pena inicial de sete meses de prisão em regime aberto foi substituída por um ano de prestação de seriços comunitários.
- A decisão é monstruosa. Foi o juiz que condenou o policial por lesão corporal leve, pois o júri absolveu. Eu tenho certeza que teremos um novo julgamento - disse. . .
* lembrando que, também por "OLHO DE BOI", O GUS GANHOU OKIKITO DE MELHOR ATOR NO ANO PASSADO!!!!
da Folha Online
A APCA (Associação Paulista dos Críticos de Artes) escolheu na noite de segunda-feira (8) os melhores artistas de 2008 em dez diferentes categorias, como cinema, dança, literatura e televisão.
Na TV, o "CQC", da Band, levou o prêmio de melhor programa de humor, enquanto Patrícia Pillar ficou com o prêmio de melhor atriz por sua atuação em "A Favorita".
No cinema, o filme "Linha de Passe", de Walter Salles e Daniela Thomas, e "Serras da Desordem", de Andrea Tonacci foram considerados os melhores do ano. Já no teatro, Marco Nanini foi escolhido como melhor ator por "O Bem Amado" e Denise Fraga ficou com prêmio de melhor atriz pela peça "A Alma Boa de Setsuan".
Em literatura, "Flores Azuis" (Cia. Das Letras), de Carola Saavedra, foi eleito o de melhor romance do ano. Em poesia, o premiado "Anima Animalis" (Letra Selvagem), de Olga Savary e Marcelo Frazão.
Já o "O Santo Sujo" (Cosac Naify) venceu na categoria biografia. O livro, do escritor e jornalista Humberto Werneck, é sobre o músico e compositor Jayme Ovalle (1896-1955), que influenciou Manuel Bandeira, Villa-Lobos, Gilberto Freyre, Fernando Sabino e Vinicius de Moraes.
Segue, abaixo, a lista dos vencedores:
Televisão
Atriz: Patrícia Pillar - "A Favorita" (Globo) Ator: Guilherme Weber - "Caros Amigos" (Globo) Autor: João Emanuel Carneiro - "A Favorita" (Globo) Esporte: "A Copa do Mundo É Nossa" (ESPN Brasil) Humor: "CQC" (Band) Musical: "Por Toda Minha Vida" (Globo) Série: "9mm" (Fox)
Cinema
Atriz: Djin Sganzerla - "Meu Nome é Dindi" Ator: Gustavo Machado - "Olho de Boi" Filme: "Linha de Passe" - Walter Salles e Daniela Thomas Filme: "Serras da Desordem" - Andrea Tonacci Montagem: Carlos Prates Castelar e Nelson Dantas - "No País dos Generais" Roteiro: Carlos Reichenbach - "Falsa Loura" Prêmio Especial do Júri: "Pan-Cinema Permanente" - Carlos Nader
Música Popular
Cantora: Nina Becker Cantor: Zé Renato Disco: "Nova Estação" - Wanderléa Grupo: Choro das 3 Instrumentista: Victor Lopes Revelação: Vitor Araújo Show: "Palavra Cantada"
Música Erudita
Especial: Júlio Medaglia Grande Prêmio: Trio Images Obra Vocal: "Missa de Edmundo Villani-Côrtes" Obra Experimental: "Cadências para Piano" - Orquestra de Guilherme Bauer Personalidade: Vasco Mariz Projeto Musical: Banda Sinfônica do Exército e Maestro Benito Juarez Revelação: Allan Grando
Artes Visuais
Exposição Internacional: "Papiers à La Mode" - Isabelle de Borchgrave (FAAP) Exposição: "Momentos de Luz" - Almir Mavignier (Dan Galeria) Fotografia: "Coleção Princesa Isabel" - "Fotografia do Século 19" (Editora Capivara) Pedro e Bia Correa do Lago Grande Prêmio da Crítica: Frans Krajcberg - "MAM 60 anos" (OCA) Iniciativa Cultural: Instituto Tomie Ohtake - pelas exposições Obra Gráfica: Sérgio Fingermann - "Gravura, Trama de Sombras" (Editora Bei) Retrospectiva: Antonio Bandeira - "Pinakotheke Galeria"
Dança
Concepção em Dança: "Hagoromo" - Emilie Sugai e Fábio Mazzoni Coreógrafo: Bruno Beltrão (H2) Formação, Difusão, Produção e Criação em Dança: Núcleo Artérias - Adriana Grechi - Fronteiras Móveis e 10 Festival Contemporâneo de Dança Intérprete Revelação: Leandro Berton (Peter Pan e Revisita) Percurso em Dança: João Saldanha (Monocromos) Pesquisa em Dança: Associação Desaba pela produção 2008 - Pocket Show (Cristian Duarte, Thelma Bonavita e Thiago Granato), Eletroquímicos Baby (Cristian Duarte e Thelma Bonavita) e Cornélia Boom (Cristian Duarte e Sheila Arêas). Política Pública em Dança: Núcleo do Dirceu - Marcelo Evelin, Teresina (PI)
Literatura
Biografia: "O Santo Sujo" (Cosac Naify) - Humberto Werneck Ensaio: "A Construção do Gosto" (Ateliê) - Maurício Monteiro Poesia: "Anima Animalis" (Letra Selvagem) - Olga Savary e Marcelo Frazão Reportagem: "O Livro Amarelo do Terminal" (Cosac Naify) - Vanessa Bárbara Romance: "Flores Azuis" (Cia. Das Letras) - Carola Saavedra Memória: "Memórias Inventadas - A Terceira Infância" (Planeta) - Manoel de Barros Tradução: Paulo Bezerra e Irmãos Karamazov, Dostoievski
Rádio
Grande Prêmio da Crítica: "Escola Voluntária" - Bandeirantes AM Humor: "Rádio Matraca" - USP FM Internet: "Rádio Heineken" Musical: "Sala de Música" - CBN Programa ao Vivo: "Grandes Encontros" - Eldorado FM Revelação: "Pajero Sport Specials" - Mitsubishi FM Variedades: "Caminhos Alternativos" - CBN
Teatro Infantil
Ator: Sidnei Caria - "As Aventuras de Bambolina" Atriz: Ana Luisa Lacombe - "O Conto do Rumo Distante" Autor: Marcelo Romagnoli - "Sapecado" Direção: Kleber Montanheiro - "Sonho de Uma Noite de Verão" Direção Musical: Armando Escrich - "Senhor Dodói" Espetáculo: "Sapecado" Figurino: Léo Diniz - "O Poeta e as Andorinhas"
Teatro
Ator: Marco Nanini - "O Bem Amado" Atriz: Denise Fraga - "A Alma Boa de Setsuan" Autor: Jandira Martini - "O Eclipse" Diretor: Luiz Fernando Marques - "Arrufos" Espetáculo: "A Alma Boa de Setsuan" Grande Prêmio da Crítica: José Renato (carreira teatral) Prêmio Especial: Nicette Bruno e Paulo Goulart (Projeto Teatro nas Universidades)
Com apenas 25 anos e 14 longas no currículo, Louis Garrel é hoje o ator-fetiche do cinema francês. O filho do cineasta Philippe Garrel chegou às telas em 1989 pelas mãos do pai, em "Les Baisers de Secours". Ganhou prestígio com "Os Sonhadores", de Bernardo Bertolucci, em 2003. E passou a ser comparado ao Antoine Doinel de Jean-Pierre Léaud por seus papéis em "Em Paris" (2006) e "Canções de Amor" (2007), dois dos cinco longas de Christophe Honoré em que atuou. A seguir, a íntegra da entrevista que Louis concedeu à Folha por telefone, devido ao lançamento de "A Fronteira da Alvorada" neste final de semana.
Em entrevista à revista "Cahiers du Cinéma", você disse sentir que ainda lhe falta traquejo para construir seus personagens ("fisicamente, ainda preciso me libertar"). Onde é mais difícil fazer isso: no teatro, com sua companhia D’Ores e Déjà, ou no cinema? Quando fiz esse comentário, estava opondo os atores americanos aos europeus. Mesmo no cinema comercial, posso me interessar por produções americanas unicamente por conta dos atores. Ainda que o filme não seja tão interessante, o trabalho dos atores em determinadas produções é autoral, de composição. No cinema europeu, raramente tenho essa impressão. Na França, não temos escolas de atuação para o cinema. Quando aprendemos a atuar, é para interpretar a tradição, o repertório teatral. Talvez isso esteja ligado ao fato de [o diretor] Robert Bresson ter representado um grande momento para o cinema francês trabalhando essencialmente com amadores. Por isso, muitos diretores pensam que os atores não são indispensáveis para se fazer um bom filme.
Com tantas participações em filmes nos últimos anos, sobra tempo para se dedicar à companhia teatral? O que é bom é que ela é composta de pessoas muito próximas a mim, amigos que vejo o tempo todo. Houve um trabalho do qual não pude participar porque estava envolvido em outros projetos, mas voltaremos a trabalhar juntos. Queremos seguir a trilha de Ariane Mnouchkine [diretora do grupo Théâtre du Soleil]. Ela cria um tema com sua trupe, que improvisa em cima disso. São criações coletivas, que não partem de textos que já existem.
O que há de comum entre você e o fotógrafo François de "A Fronteira da Alvorada"? Você também se esquiva de um estilo de vida burguês? François é um hipersensível, como eu. Para apreciar este filme, pelo que percebi, é preciso ter essa sensibilidade de ouro. Quanto ao casamento burguês, claro, é algo de que sempre temos medo aos 20 anos: o dia em que seremos engolidos pela máquina social. Li um livro bonito do sueco Stig Dagerman sobre isso, "Notre Besoin de Consolation Est Impossible à Rassasier" [nossa necessidade de consolação é insaciável].
Como filmar com seu pai [Philippe Garrel, diretor de "A Fronteira..." e "Amantes Constantes"] é diferente de fazê-lo com outros diretores? Acho meu pai um gênio. Ele acessa o cinema a um só tempo como pintor e poeta. É muito emocionante, belo e inspirador ver um poeta pintor que faz filmes. Já Christophe Honoré [com quem rodou cinco filmes até agora, dentre os quais "Em Paris" e "Canções de Amor"] é impulsionado pela literatura.
Você tem interpretado bon vivants que esquecem os males do coração embarcando em novas paixões. Soa como um Antoine Doinel [personagem de filmes de Truffaut como "Beijos Proibidos" e "Amor em Fuga"] dos anos 2000, não? Enquanto admirador confesso de Jean-Pierre Léaud [intérprete de Doinel], como vê essa comparação? Sou mais que um admirador de Jean-Pierre Léaud, sou um aficionado. Deveria fazer um período de desintoxicação em Léaud, porque sou dependente. A questão é que, se puder dar às pessoas a gana de viver a vida como uma aventura como Doinel me deu, ficarei feliz.
Dentre seus dez filmes mais recentes, só três não foram dirigidos por Honoré ou seu pai, Philippe. Quais são seus critérios para aceitar um papel? O que pensa sobre o cinema francês atual? Não tenho um método específico [para escolher papéis]. Não tenho uma idéia concreta sobre o cinema francês, mas é fato que tudo é condicionado pelo que vivemos no país. Como todos na França estão um pouco entediados, acho que o cinema reflete isso. Neste momento, ele é encarado como entretenimento, o mote da hora é divertir as pessoas. Mas não é por ser comercial que um filme vai ser ruim. Não há regras. É preciso que se sinta uma coisa real que o diretor queira contar, para além de a história ser boa ou ruim.
Você atuou em dois filmes que se passam durante o Maio de 68 ["Os Sonhadores" e "Amantes Constantes"]. Recentemente, disse que, em se tratando de imigração, o governo francês "está em estado de psicose coletiva. Qual é a sua relação com a política e quais são suas impressões sobre a França de Nicolas Sarkozy? Acho muito perverso da parte de Nicolas Sarkozy se valer do problema da imigração para chegar ao poder. Não é algo que se possa resolver com dez frases. É eterno esse desejo de ver alhures, de se deslocar. Mas ele encara isso como um problema, para o qual haveria basicamente uma solução: pôr para fora quem vem comer o pão dos outros. Que hoje na França se vá perseguir pessoas nas escolas (nossas crianças e seus pais) é muito perverso e dá ao país uma tensão.
E como o cinema deve tratar essas tensões sociais? Pode haver cinema militante, mas não acho que seja uma tarefa do cinema falar disso. Prefiro ouvir sociólogos, antropólogos e historiadores sobre essa questão, para que nos restituam a complexidade dessa história de migrações, movimentos de populações de um país a outro. Não cabe ao cinema resolver essas questões. Quando fazemos esse tipo de filme, fica meio chato. Não podemos querer que se faça exclusivamente cinema social.
Mas Abdellatif Kechiche (diretor de "O Segredo do Grão", tunisiano radicado na França) não é um exemplo de que se pode falar de questões sociais sem ser enfadonho? É verdade, ele fez algo magnífico. "L’Esquive" [longa anterior de Kechiche] nos informou que gírias de certos grupos sociais franceses têm tantas sutilezas quanto a língua oficial. Podem ser sensuais, falar de amizade, ser complexas. Isso foi uma descoberta genial. Um filme deve sempre empreender uma busca; se se fizer uma descoberta como essa que Kechiche fez, já terá sido algo enorme.
"Ma Mère", de Christophe Honoré, e "Os Sonhadores", de Bernardo Bertolucci, transformaram você em sex-symbol do novo cinema francês. Esse rótulo o incomoda? Tenho uma relação particular com o cinema: gosto de ser erotizado por um filme. Não tenho amarras artísticas. Fico feliz em vir participar dessa erotização. É estimulante ser excitado por um filme, pelos objetos de desejo de atrizes e atores.
Você disse à "Cahiers" que gostaria de ir trabalhar nos EUA. Mas em Hollywood, fala-se muito de si próprio, de sua intimidade, coisa que você não gosta de fazer em entrevistas... Se fosse para trabalhar com James Gray [de "Os Donos da Noite"], não ligaria em falar quanto calço. Com que outros diretores americanos gostaria de trabalhar? Wes Anderson e Judd Apatow e sua trupe.
Você estreou na direção neste ano com o curta-metragem "Mes Copains" [meus camaradas]. Tem vontade de dirigir mais? Sim, quero fazer mais curtas com minha companhia teatral.
há um pouco, ou muito, de Cabíria também em mim...
Novo dia Sigo pensando em você Fico tão leve que não levo padecer Trabalho em samba e não posso reclamar Vivo cantando só para te tocar Todo dia Vivo pensando em casar Juntar as rimas como um pobre popular Subir na vida com você em meu altar Sigo tocando só para te cantar É o bonde do dom que me leva Os anjos que me carregam Os automóveis que me cercam Os santos que me projetam Nas asas do bem desse mundo Carregam um quintal lá no fundo A água do mar me bebe A sede de ti prossegue A sede de ti... . .
"O Bonde do Dom" Arnaldo Antunes / Carlinhos Brown / Marisa Monte
PS: Coelho, se essa campanha der certo (ou seja, se um monte de gente começar a entupir sua caixa postal) vou acreditar que eu realmente sou uma pessoa popular. hahaha
Olhava para o chão enquanto andava, nas calçadas, mas só às vezes. Só enquanto via nele, nos desenhos do chão, das calçadas, rostos de mulheres. Em alguns via a beleza. E um era o seu preferido desde a primeira vez que o vira. Porque era perfeito. Queria ser aquele rosto. Porque não conseguia ver-se ainda.
Tirava as sandálias no teatro, no cinema, no trabalho. Adorava ficar com os pés nus. Sentia um prazer sensual, por ser proibido, neste ato. Sim, ela descobriu esse pequeno segredo. E sorriu.
Levantava a saia por baixo da mesa quando ninguém estava na sala. Colocava os pés nus em cima da cadeira. E ouvia no comercial da TV: ´é uma delícia ser mulher´.
Os interessados em contribuir com qualquer quantia podem fazer depósito nas contas abaixo:
Banco/SICOOB SC - 756 - Agência 1005, Conta Corrente 2008-7
Caixa Econômica Federal - Agência 1877, operação 006, conta 80.000-8
Banco do Brasil - Agência 3582-3, Conta Corrente 80.000-7
Besc - Agência 068-0, Conta Corrente 80.000-0.
Bradesco S/A - 237 Agência 0348-4, Conta Corrente 160.000-1
Itaú S/A - 341, Agência 0289, Conta Corrente 69971-2
SICREDI - 748, Agência 2603, Conta Corrente 3500-9
SANTANDER - 033, Agência 1227, Conta Corrente 430000052
O nome da pessoa jurídica é Fundo Estadual de Defesa Civil, CNPJ - 04.426.883/0001-57.
A Defesa Civil, no entanto, alertou a população que deseja colaborar para tomarem cuidado com falsas mensagens de ajuda, enviadas por e-mail, divulgando números de contas bancárias para depósitos de doações em dinheiro. De acordo com os técnicos da Defesa Civil, o órgão não envia mensagens eletrônicas com pedidos de auxílio aos desabrigados. As contas oficiais para depósito de ajuda são divulgadas pelo site da Defesa Civil em http://www.defesacivil.sc.gov.br/ .
É verdade: amamos a vida não porque estejamos acostumados à vida, mas ao amor.
Há sempre o seu quê de loucura no amor; mas também há sempre o seu quê de razão na loucura. E eu, que estou bem com a vida, creio que para saber de felicidade não há como as borboletas e as bolhas de sabão, e o que se lhes assemelhe entre os homens.
Ver revolutear essas almas aladas e loucas, encantadoras e buliçosas, é o que arranca a Zaratustra lágrimas e canções.
O meu amor tem um jeito manso que é só seu E que me deixa louca quando me beija a boca A minha pele toda fica arrepiada E me beija com calma e fundo Até minh'alma se sentir beijada
O meu amor tem um jeito manso que é só seu Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos Com tantos segredos lindos e indecentes Depois brinca comigo, ri do meu umbigo E me crava os dentes
Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz
O meu amor tem um jeito manso que é só seu Que me deixa maluca, quando me roça a nuca E quase me machuca com a barba mal feita E de pousar as coxas entre as minhas coxas Quando ele se deita
O meu amor tem um jeito manso que é só seu De me fazer rodeios, de me beijar os seios Me beijar o ventre e me deixar em brasa Desfruta do meu corpo como se o meu corpo Fosse a sua casa
Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz
casino
"O Gosto da Rosa"
Foi quando provei da rosa
- uma pétala rubra e saborosa -
que me olhaste assim, de lado,
com olhar de encantamento
e sorriso doce, admirado.
Ofereci a ti uma pétala,
fizeste cara de estranheza!
- Brigada, seu moço,
mas rosa não se come!
Eu quis te provar
que flor também é almoço,
quando é de amor a fome.
E por que gostei do teu riso,
perguntei teu nome:
- Rosa.
Nem precisava ter nome do flor.
Podias ser só Maria,
que mesmo assim, de ti,
cada pétala eu provaria,
e em cada uma eu sentiria,
nos meus, o gosto dos teus
lábios cor-de-rosa.
Marcelo Grillo