28 Setembro 2007

Tanta emoção. Tanta beleza. Para sempre em mim...



EU TENHO

"Uma coleção de guarda-chuvas coloridos. Eles ficam em um porta guarda-chuvas no meu escritório. Tem roxo, laranja, vermelho, branco, tem um transparente que fica lindo molhado e tem um preto também. Se um dia a gente tiver que andar pela Rua Augusta, ou mesmo aqui no centro, se um dia isso acontecer e a gente tiver que dividir o guarda-chuva novamente, eu juro que deixo você escolher a cor. Mas se isso não voltar a acontecer eles ficarão aqui, secando a chuvinha que cai dos meus olhos verdes trovões de saudade."


Escrito por Fernanda D´Umbra às 12:18:54
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Agora há pouco, vindo para o trabalho, um moço que não conheço me olhou e disse baixinho:

“Você é a moça mais bonita que eu já vi na vida.”



E, então, eu senti algo parecido com:



"... tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo condizia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!

Ergueu-se de um salto, passou rapidamente um roupão, veio levantar os transparentes da janela... Que linda manhã! Era um daqueles dias do fim de agosto em que o estio faz uma pausa; há prematuramente, no calor e na luz, uma certa tranqüilidade outonal; o sol cai largo, resplandecente, mas pousa de leve; o ar não tem o embaciado canicular, e o azul muito alto reluz com uma nitidez lavada; respira-se mais livremente; e já se não vê na gente que passa o abatimento mole da calma enfraquecedora. Veio-lhe uma alegria: sentia-se ligeira, tinha dormido a noite de um sono são, contínuo, e todas as agitações, as impaciências dos dias passados pareciam ter-se dissipado naquele repouso. Foi-se ver ao espelho."

Eça de Queiroz, "O Primo Basílio"

27 Setembro 2007

Hoje

Foda-se o feminismo.

Eu quero um homem que me proteja, me cuide e me ame.

E quero também sentir o mesmo por ele, claro.

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Dedicatória

Ser puta é ser alguma coisa. Saber-se é estar vivo. Nunca é ingenuidade. Comer é luxúria: abençoada pelo papa. O papa é fofo. Em quem o papa pensa quando se masturba? Óbvio. E popular. Óbvio é todo dia. As putas mandam! Ser puta é celebridade. Caridade abençoada. Mas não conte a ninguém! Ser puta é ser inteligente. Ser puta é ser star. Estar na pica da onda. Globalizadamente falando. Mas ser puta é primitivo e humano. O homem é puta. A mãe não. A mãe não sabe, e por isso padece. Quem não sabe é feliz. Quem não sabe goza. Eu sei. Sou puta. Mas puta ressentida, o que é pior. As putas são uma raça de homens. A raça mais valorizada? As cachorras. Este poema é dedicado a alguém. Espero que ela não goste. Mas mesmo assim vou continuar. Ela continua viva: PUTA!!! Eu adoro chamá-la assim. Já que não posso lá, chamo cá. Como na minha cabeça. Como em cada segundo de muitos minutos. Como em cada minuto de muitas horas. Como em cada hora de muitos dias. Eternamente... Aqui, jaz uma puta, que morreu de inanição, por não chamar sua colega pelo nome... Jamais acredite em uma escritora.


05.03.2004
Maria Clara Spinelli


Hoje tem show: "Fábrica de Animais"

Caros amigos,

Hoje a banda Fábrica de Animais, da qual sou a vocalista, se apresenta no Centro Cultural São Paulo às 19h.
O show de hoje é assinado por Fernanda D´Umbra e Banda, porque à época de entregar a documentção, ainda não tínhamos nome.
Então procurem assim na bilheteria. A entrada é franca, basta retirar o ingresso.

O som é um blues/rock que resulta pesado e doce ao mesmo tempo. Alta gastronomia musical.
Ao menos a gente tem ensaiado pra isso.

Amigos, tocar no Centro Cultural é sempre muito bom.
Espero por todos hoje.

Um beijo enorme
Fernanda D´Umbra

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SHOW COM A FÁBRICA DE ANIMAIS
(na bilheteria FERNANDA D´UMBRA E BANDA)

HOJE - no projeto QUINTA NA FAIXA
CENTRO CULTURAL SÃO PAULO
SALA ADONIRAM BARBOSA
RUA VERGUEIRO, 1000
ENTRADA FRANCA
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FÁBRICA DE ANIMAIS é:
Flávio Vajman (gaita, acordeon e guitarra) / Cristiano Miranda (bateria) / Leo Costa (contra-baixo)/ Sérgio Arara (guitarra)/ Fernanda D`Umbra (vocais)
www.fabricadeanimais.blogspot.com
www.semgelo.zip.net

26 Setembro 2007




25 Setembro 2007

Le Téâtre du Soleil

Pela primeira vez na América Latina, o grupo francês Téâtre du Soleil (não confunda com o Cirque) fará a estréia brasileira da peça Les Éphémères, dentro do Porto Alegre em Cena, no próximo dia 27, em um galpão de 3.740 metros quadrados, especialmente adaptado para receber a montagem. A próxima parada é São Paulo e depois Taiwan.
Les Éphémères (os efêmeros) pode ser medido também por seus números: a montagem tem 6 horas e meia de duração, divididas em duas partes independentes, com uma hora de intervalo. Os 2.061 ingressos esgotaram em dois dias de vendas. A cenografia e os figurinos exigem 12 contêineres para serem transportados, e a equipe – entre técnicos e artistas – reúne quase 100 pessoas.
Mas, se você quiser mesmo entender Les Éphémères (que terá legendas em português), preste muita atenção quando chegar ao galpão do bairro Humaitá. Quem vai abrir a porta e receber o público, logo depois das tradicionais 3 pancadas de Molière, é uma senhora francesa de 68 anos, penteado não muito alinhado, jeito simpático. Ela mesma: a diretora Ariane Mnouchkine, fundadora do Théâtre, recentemente agraciada com um Leão de Ouro pelo conjunto de sua obra durante o Festival de Teatro da 39º edição da Bienal de Veneza.
Mnouchkine apresenta no Brasil não apenas uma montagem, mas também o modo de fazer e viver teatro que caracteriza o Théâtre du Soleil desde a sua fundação, em 1964:
- Desde 1970, o grupo está alojado no Bosque de Vincennes, na Cartoucherie, uma antiga fábrica de munição;
- O Théâtre emprega uma média de oito meses a um ano para ensaiar cada montagem;
- O compromisso fundamental de Mnouchkine de aliar estética e ética faz com que o grupo tenha uma ação política visível e engajada – não é raro hospedar refugiados na Cartoucherie, e o Théâtre promoveu inclusive uma viagem ao Afeganistão a fim de orientar oficinas de teatro para crianças (que depois foram trazidas para um estágio na Cartoucherie);
- Todos os integrantes da trupe – inclusive a diretora – ganham o mesmo salário, ou seja, 1.677 euros (por volta de R$4,3 mil);
- Não há tarefas exclusivas ou mesmo definidas – um ator também maneja uma empilhadeira para carregar a bagagem do grupo, a própria Mnouchkine cozinha e serve comida para o público (sim, porque, no intervalo de Les Éphémères, o público terá a oportunidade de experimentar uma refeição preparada pelo elenco);
- Quando o Théâtre começa a ensaiar uma nova montagem, não existe definição de quem assumirá cada personagem – ao longo dos meses de leitura, pesquisa e improvisação, cada ator conquista seu papel.
Mas, de novo, para entender o Théâtre du Soleil é preciso prestar atenção no gesto simples. Depois que Mnouchkine deixar você entrar na Cartoucherie, siga até o local onde estão instalados os camarins. Olhe, circule, acompanhe os artistas se maquiando, atente par o dia-a-dia de um artista. A conclusão é lógica: os artistas são pessoas, as pessoas são artistas. Lição para a vida toda.

Renato Mendonça
Caderno de Cultura
Zero Hora – 22/09/07


24 Setembro 2007

"Zumanity" - da beleza natural e da aceitação das diferenças

´Cirque du Soleil´ para adultos
A trupe mostra seu lado sensual em "Zumanity", nos EUA

por fernanda galvão

http://www.terra.com.br/istoedinheiro/449/estilo/cirque_du_soleil.htm


Sob luzes suaves e uma música provocante, as irmãs paulistanas Luciene e Licemar avançam pela platéia. Cada uma pesa cerca de 100 quilos. Estão vestidas com perucas ruivas, ousados maiôs de couro e meia-arrastão. Oferecem morangos a alguns espectadores. Depois, exibem um perfeito número de malabarismo que anima o início de um dos espetáculos da premiada companhia canadense Cirque du Soleil. A apresentação das artistas brasileiras, conhecidas como Irmãs Botero, só pode ser vista por quem assiste ao espetáculo Zumanity, um dos cinco shows fixos mantidos pelo Cirque em Las Vegas, nos Estados Unidos. Em cartaz desde 2004 no teatro do New York-New York Hotel and Casino, Zumanity é um show para adultos (a censura é de 18 anos). O slogan revela seu conceito: “o outro lado do Cirque du Soleil” – leia-se, nesse caso, o lado sensual.


Zumanity é resultado da junção das palavras inglesas zoo e humanity e representa a idéia de “zoológico humano”. As apresentações ocorrem num teatro pequeno, com capacidade para 1.260 pessoas, em estilo cabaré. A decoração inclui veludo vermelho nas paredes e assentos duplos chamados love seats (“poltronas do amor”, na tradução do inglês). Há algumas cenas faladas (em inglês) e com nudismo moderado. Os figurinos são do estilista francês Thierry Mugler e a trilha sonora é inspirada em música clássica e jazz dos anos 40. O show é um projeto pessoal de Guy Laliberté, o fundador da companhia, que nele pretende abordar o tema da beleza natural e da aceitação das diferenças. O elenco traz 47 artistas de 16 nacionalidades que, em apresentações de 1h30, realizam números de acrobacia, dança e contorcionismo regidos por movimentos insinuantes e eróticos.


Embora mais teatral que as demais montagens do Cirque, Zumanity traz todos os elementos que fizeram da companhia um dos expoentes mundiais da moderna arte circense: artistas de primeiro time embalados em envolvente música ao vivo, figurinos exuberantes e cenários sofisticados. A companhia foi fundada em 1984 na cidade de Quebec, no Canadá, e consolidou-se ao abandonar a idéia de um circo formado por integrantes de uma única família e apostar no recrutamento de artistas talentosos independentes. Hoje, é uma empresa multinacional. O Cirque emprega cerca de 3,5 mil funcionários e 900 artistas de mais de 40 nacionalidades, recrutados em diversos países num rigoroso e cobiçado processo de seleção. Laliberté, acordeonista, engolidor de fogo e acrobata, figura constantemente nas listas das pessoas mais ricas do mundo. Mais de 42 milhões de pessoas já assistiram a um dos espetáculos da trupe - são 13 elencos simultâneos, 6 deles em constantes excursões (a exemplo de Saltimbanco) e 7 em locais permanentes, como as cidades americanas de Orlando e Las Vegas. Destes últimos é que faz parte Zumanity. Mas, apesar de baseado no mesmo tripé de movimento, luz e cor de todo show do Cirque, o “zôo humano” é o único que busca dar voz aos instintos e despertar os sentidos. Antes de aventurar-se numa apresentação, peça um Zumanitini, drinque com toque de cereja criado para o show, e liberte a imaginação. O Circo do Sol garante.



COMO ASSISTIR AO CIRCO DO SOL

Nos EUA: "Zumanity"
Local: New York-New York Hotel & Casino, Las Vegas, Nevada
Duração: 1h30
Datas: de sexta a terça-feira, às 19h30 e às 22h30
Ingressos: US$ 65 a US$ 95(cadeiras individuais) US$ 125 (cada assento em poltronas duplas)
Reservas: http://www.zumanity.com/
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in "Zumanity" - Cirque du Soleil

21 Setembro 2007

Direção do meu amigo Marcos Loureiro

Em cartaz no ´Espaço dos Satyros II´
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20 Setembro 2007

´Satyrianas´ 2007








19 Setembro 2007

´eu sou da clarice´ ou ´pequenos milagres´

esses dias em são paulo foram tão intensos, tão bonitos, tão mágicos... também difíceis em alguns momentos. mas voltei em paz, porque consegui fazer o que tinha que fazer. graças à Deusa.

e voltei triste também. cada vez gosto menos de voltar. mas isso é algo que terei que vencer até poder mudar as coisas.

às vezes acho que sou fraca. frágil demais. e às vezes acho que sou forte. como nem é possível alguém ser.

revi amigos tão queridos. senti e vivi coisas tão importantes. há encantamento na minha vida... eu fui a um baile mesmo. e nem sabia (?). rsrs. foi lindo!

e eu fui para são paulo também para fazer algo muito importante para mim. então, eu precisava aquecer a minha voz e a minha alma. para isso um anjo soprou no meu ouvido que eu deveria ler. ler em voz alta. ler algo que fosse maior do que eu e me pegasse pelas mãos e me conduzisse até minha liberdade.

eu estava na casa do amigo laerte (depois dessa viagem eu amo o laerte. para sempre). e encontrei na estante da sala dele dois livros da clarice: ´a maçã no escuro´ e ´o lustre´. li a contra-capa de ´o lustre´ e ela me disse: “renda-se como eu me rendi. mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei”. então entendi.

peguei o livro e fui ao meu compromisso importante, onde a amiga cláudia (que eu também amo para sempre) estava me esperando.

chegando lá, antes do compromisso, para aquecer minha voz e minha alma, comecei a ler para ela um trecho aleatório do livro que eu encontrei na estante do laerte.

estava escrito assim:



(...) “Mas Virgínia estranhamente já parecida curada e simples, não tendo parado mais do que o próprio instante naquele instante; retirara as mãos, pousara-as sobre o colo, guiara-as até o livro sobre a mesinha, descansara-as sobre o regaço de novo. De súbito, levou-as à cabeça e finalmente desfez-se do chapéu, pousou-o sobre a mesa, alisou os cabelos que estavam úmidos. Lembrava-se de que uma vez tivera uma colega e que simplesmente a amava, tanto como poderia amar Maria Clara. A menina – como lembrar-se de seu nome?”

Comunidades no Orkut

O querido amigo Mário Augusto, criador das três comunidades abaixo, saiu do Orkut e me deixou a responsabilidade de moderá-las.

Então, convido a todos para participarem dessas comunidades muito especiais:



Eu leio "Os dias e as horas"

Em seu blog, Alberto Guzik nos surpreende a cada novo post. A sensibilidade com que ele descreve personagens e fatos do cotidiano; suas reflexões sobre o processo de criação teatral; sobre poesia; sobre a sociedade contemporânea. A escrita guzikiana têm sido uma grande referência para todos aqueles que amam a arte e que procuram ampliar o conhecimento.

http://os.dias.e.as.horas.zip.net/


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Os Cantos de Portugal

A cultura musical portuguesa.

Sábados às 19h00. Com reprise nas terças, às 5h00.

Apresentação: Ivam Cabral.

Rádio Paraná Educativa FM 97,1
http://www.pr.gov.br/rtve/prog_fm.shtml#


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"Inocência" de Dea Loher

O enredo traz uma abordagem da solidão dos seres humanos na cidade grande, suas angústias e a falta de perspectiva em uma sociedade que destruiu as grandes ideologias e hoje vive o niilismo de um cotidiano exasperante. Várias histórias paralelas se entrecruzam e trazem à tona o drama dessas pessoas com suas dificuldades em viver num mundo vazio de sentido. Para todos aqueles que assistiram a esse belíssimo espetáculo e que admiram o trabalho da ´Cia. de Teatro Os Satyros´.


18 Setembro 2007

gata borralheira foi ao baile (do blog do guzik)

16/09/2007

Festa

Fui ao aniversário do Serginho Roveri, ontem, com o Laerte Késsimos, o Bruno Pace, a Maria Clara Spinelli, que veio passear sua beleza e seu re-nascimento em São Paulo, o Tiago Leal. E estava todo mundo na cobertura da rua Wapabussu. Ricardo Moreno era o outro dono da festa. Revi o Zé Jardim, o Pedroca Moutinho, a Pati Vilela, o Rodrigo Frampton, o Nico Trevijano e a Lígia, a minha amada Ricca, a minha amada Cléo, o Fusko e a Amanda, gente que eu não via há séculos, gente que eu vejo todos os dias. Bombou a festa. Foi linda. Os Satyros compareceram em peso. Até a Phedra apareceu, vinda da festa da G Magazine, lá na The Week. Deve ter gasto o salário que ainda não recebeu em táxi. Ficou meia-hora rodando lá pelas entranhas de Pinheiros antes de achar o endereço. Phedra é a versão trans da Lucy, a atrapalhada figura criada pela ruiva Lucille Ball no seriado "I Love Lucy", uma das personagens memoráveis da tevê no século 20, em cartaz até hoje no TCM. Adoro assistir. E até a Phedra chegou. E a festa deve ter ido até as altas. Eu, que sou um senhor de provecta idade, retirei-me discretamente, no meio da madrugada, não no fim dela, pegando carona com meu amado Ivam Cabral, que está muito longe de qualquer idade provecta, bem ao contrário, mas não queria varar a noite na comemoração. E viermos conversando, falando de coisa e loisa, até que ele me deixou em casa. Gente, a festa foi tudo. Mas os vizinhos pode ser que não tenham gostado. A comemoração se deu no 20.° andar. Quando a gente chegou ao térreo, o som vinha de lá de cima em alta voltagem. Uma quietude total por ali e aquele som rolando a todo volume. Se o Ricardo Moreno, que é o morador do edifício com a cobertura, cuja vista em 360° da cidade é espetacular, tiver algum vizinho como aquele neurótico síndico do prédio do Satyros 2, é capaz de ter que ouvir reclamações. Ainda bem que ele e o Sérgio só fazem aniversário uma só vez por ano.


:: Escrito por alberto guzik às 12h01


Os Satyros selecionam atores

Os Satyros selecionam atores para o espetáculo "Os 120 Dias de Sodoma". A peça é baseada na obra do marquês de Sade e está em cartaz no Espaço dos Satyros Dois aos sábados e domingos às 20h30. Inspirado no romance homônimo do Marquês de Sade, o espetáculo faz parte da trilogia iniciada com "A Filosofia na Alcova".

Considerada um dos clássicos da literatura mundial, a obra conta a história de quatro poderosos libertinos que se dedicam durante um ano a organizar uma grande orgia, seqüestrando alguns dos mais belos jovens do país para a satisfação de seus prazeres.

Escrita e dirigida por Rodolfo García Vázquez, o roteiro da companhia Os Satyros faz um paralelo com a situação política brasileira, tratando das suas estruturas mais profundas e perversas.

Os atores interessados deverão atender aos seguintes perfis:

- um ator entre 40 e 50 anos;- uma atriz entre 30 e 40 anos;- um ator entre 20 e 30 anos;- uma atriz transexual ou travesti acima de 25 anos.

A seleção acontecerá no Espaço dos Satyros Um (Praça Roosevelt, 214 - tel. 3258 6345) no próximo dia 21 de setembro às 16h00.

http://www.satyros.com.br/

13 Setembro 2007

gata borralheira vai ao baile

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Nos próximos dias 15, 16 e 17 de setembro estarei em São Paulo...
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Derramando por sobre meu vinho...

"Normal VIII"


Dei rosas e recebi
Guardei-as na minha mão
Abertas e vivas
Mas longe do coração.

Rosas sem cheiro
A morrer no jardim traiçoeiro
Que deixastes para mim
Em fétido e calmo janeiro.

Pisei descalço nos teus espinhos
Derramando por sobre meu vinho
Espesso e alcoólico estado
Queimei os restos de ti.

Quando baterdes a porta cega
De nada resistirá teu nome
És passado à noite gélida
Pétalas com gosto de fim.


Gabriel Villaça

http://ociodoficio.blogspot.com/

(...) te perguntaram que gosto tem a rosa... acho que tem gosto de mulher. tiro meu chapéu para toda e qualquer mulher. eu tinha dívidas com elas, antigas mas estou resgatando-as, tentando, e me ajoelhando ante a grandeza delas, porque sim homens são parte delas, e não estão à frente, mas dentro. e isso pode ser interpretado de várias formas, mas a melhor é que delas vêm homens, sejam que forma for, feitos ou construídos, então Deus abençoe as mulheres. sem elas não existe existência.


Gabriel Villaça

http://ociodoficio.blogspot.com/

Pouca vergonha esse país.
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09 Setembro 2007

muito prazer

e então, alguém que eu não conheço e se chama tiago me perguntou 'que gosto tem a rosa?'.

não soube responder.

por isso agora estou comendo pétalas. acabei de colher. mas tive pena da rosa. e lhe pedi perdão. ela, que ainda é tão viva e bonita, foi mutilada por mim. que vergonha. mas eu fiz. estão aqui. seis pétalas dentro da caneca amarela que ganhei do amor. imersas em água. eu não tive coragem de arrancar a sétima pétala.

meu umbigo está plantado embaixo dessa roseira. no quintal da minha casa. onde fui concebida. mas isso não interessa para o mundo.

pensei, na fantasia, que talvez a rosa pudesse ter o gosto da hóstia. gosto do sagrado. o que é mais bonito do que uma flor? o que é mais perfeito do que uma rosa? talvez o amor. mas esse eu também não conheço.

do amor, só conheço uma caneca amarela.


Maria Clara Spinelli


06 Setembro 2007

do blog do rô

Certidão de Nascimento

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Recebi um e-mail da Maria Clara.

Agora, sim, ela tem uma certidão de nascimento!

Renasceu para a vida.

Já somos determinados desde o momento em que a gente nasce: a certidão de nascimento já nos diz o nosso sexo, os nossos pais, o dia que cortaremos um bolo e faremos aniversário, o sobrenome. Tudo para nos identificar perante a sociedade.

Temos o direito de ter essa identidade, mas nunca falamos sobre os deveres que essa identidade nos obriga.

Maria Clara é uma revolucionária visceral: lutou e conseguiu refazer essa identidade social, que era tão distante da sua identidade real.

A Che Guevara de baton e certidão nova!
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Escrito por Rodolfo às 10h09
http://olhossempreabertos.zip.net/


e novamente. porque quero morrer embriagada...

A Coragem


Não posso renegar minha origem humana, minha roupa de sangue e carne. Não quero comer meu semelhante. Meu sangue e minha carne são anteriores a mim. Assim como meu espírito o é. Não posso. Não devo. E não quero? Não vou lutar contra isto. Quero paz entre corpo e espírito. Os prazeres devem ser da carne. Os prazeres devem ser do espírito. Juntos é Deus. Deus é você. Devo entregar-me: sem medo, sem vergonha, sem piedade por mim nem por ninguém. Devo abraçar a volúpia. Devo morrer. Devo deixar. Descobrir a dor. Libertar o choro. Ser o que não sei, e sempre existiu. Acreditar no desconhecido.

Sangue e carne têm a força de um coração. A dor e o prazer são siameses. Precisados. Juntos. Sempre. O verdadeiro prazer traz em si uma tragédia. A loucura é mãe do gozo. Entrar no mar e deixar-se verter. Beber a espuma. Sentir o sal. Perder-se. Ir. Ir. Água na boca. Sal na água. Sal na lágrima. Sal na semente. Tudo em mim. Eu sou a carne. A vida nasce pela boca. E eu engulo tudo! Eu venho pelas veias. Eu vou pelas artérias. Eu escorro pelo peito. Eu chupo o pêlo. O pêlo é a prova. O pêlo traz. O pêlo mata!

Atravessar. Voltar. Perder. Cair. Procurar. Bater. Cortar. Sangrar. E não ter certeza de nada. E chegar ao fundo. E querer mais.



Maria Clara Spinelli

da tua boca

Uma breve história sobre sangue
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Não nasci com ouvido absoluto, custei a identificar algumas notas e a aprender que som cada objeto produz em atrito com outro, como no momento de carinho em que um espinho espreito penetra a pele distraída, como no momento de ódio com que a faca sem fio atravessa a carne num estampido seco e crava a raiva no osso, como no derreter insistente do gelo num dia de calor sonoro, e como o silêncio, o próprio silêncio sempre me diz alguma coisa sem pedir nada em troca, apenas um sussuro, um sopro, um esforço mínimo como no ato de acender uma lâmpada. Tec. Quando me esforço, ouço os segredos que as coisas, as pessoas e os próprios segredos me contam. Assim, ouço o barulho que a pedra que ela guarda no peito faz quando bate forte nas paredes do peito, batidas desesperadas de alguém que quer sair, enquanto eu, do lado de fora, com o peito oco que chega a dar eco, permaneço batendo e gritando baixo para entrar naquele coração absolutamente duro, com uma flor em uma das mãos e um dedo sangrando na outra.
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t
http://casadecambio.zip.net/

a mulher despudorada



ela chega sem querer, errática
algo incerta, desperta amores
pavores, dores lunáticas
movimentos de estática.

carregada por si, ela sublima
adoça o deserto do sol
e de plumas e flores
rompe menina ingênua mulher.

parem, olhem e sintam
suas pétalas desfolham seu véu
translúcida paisagem de céu
ela chega esguia, escorregadia mel.

sem querer desejando
seu chão é um palco fantástico
mulher pudorada, leviatã,
dona da garoa do anjos.

talhada ela se fez nua,
meio lúdica, algo banal
luxúria vermelha, vassala,
mulher de rosa carnal.



Gabriel Villaça
http://ociodoficio.blogspot.com/

05 Setembro 2007




me conta um segredo?



04 Setembro 2007

ainda

Tinha cá pra mim
Que agora sim
Eu vivia enfim o grande amor
Mentira
Me atirei assim
De trampolim
Fui até o fim um amador
Passava um verão
A água e pão
Dava o meu quinhão pro grande amor
Mentira
Eu botava a mão
No fogo então
Com meu coração de fiador

Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito
Exijo respeito, não sou mais um sonhador
Chego a mudar de calçada
Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor
Mentira

Fui muito fiel
Comprei anel
Botei no papel o grande amor
Mentira
Reservei hotel
Sarapatel
E lua-de-mel em Salvador
Fui rezar na Sé
Pra São José
Que eu levava fé no grande amor
Mentira
Fiz promessa até
Pra Oxumaré
De subir a pé o Redentor

Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito
Exijo respeito, não sou mais um sonhador
Chego a mudar de calçada
Quando aparece uma flor
E dou risada do grande amor
Mentira


"Samba do grande amor"
Chico Buarque/1983
Para o filme ´Para viver um grande amor´, de Miguel Faria Jr.




*
eu acho que já tive um grande amor.

mas não vivi um grande amor.



03 Setembro 2007

´Satyros´ no Jô

parte 01:
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parte 02:



do sonho da menina...




quando eu crescer, quero ser uma Atriz como Nora Toledo.




de que cor é o sonho?